Vamos abordar um tema controverso, o dinheiro público desbaratado por causa de opções erradas de quem não presta contas das asneiras cometidas.
A linha de Sintra sofreu uma modernização quer de vias, quer de sinalização, quer ainda pela remodelação das estações, a segurança dos passageiros bem como as composições novas que substituíram as velhinhas UTE. Foram feitas as obras que aquela Linha há muito necessitava. Ora bem, não vamos questionar o preço das obras, porque com o desmembramento das empresas públicas em empresas de capitais mistos serve para desviar do Tribunal de Contas a supervisão de algumas obras de cariz público, mas efectuadas pela esfera privada com dinheiro dos contribuintes. Mas isso é a continuação da outra história…
O que quero falar é sobre as composições novas, UQE, que foram encomendadas e fornecidas como se para um país frio se tratasse. Vinham com umas minúsculas janelas e sem insuflação de ar fresco, nem climatização. Em dias mais acalorados era ver os passageiros a sofrer com falta de ar ou mesmo com perca de sentidos pelo ambiente sufocante existente no interior das composições. A climatização tinha sido considerado um investimento supérfluo, daí dispensável. O que é certo, actualmente todas estas UQE dispõem de climatização, algumas desde o fabrico, outras por incorporação desse “extra”. Quem pagou?
As composições começaram a circular e verificou-se que o movimento das composições provocava demasiado barulho, apesar de construídas segundo os mais modernos padrões tecnológicos, provocavam mais ruído ambiente do que as velhinhas UTE. Solução? Cobriu-se toda a extensão, ou quase, com painéis de isolamento sonoro, que além de evitar a propagação sonora, arranjou uns quilómetros de superfície para pinturas e grafittis. Claro que quem mora junto da via férrea ficou enclausurado, mas isso não será problema por causa da ditadura de “quem manda pode”. Quem pagou?
Agora pode perguntar-se se era ou não necessário? Claro que era, naquelas circunstâncias era absolutamente necessário, porquanto o alargamento das vias, com a duplicação da via dupla existente, as varandas dos moradores junto da via férrea ficaram mais próximas dos comboios. Mas o que se pode também perguntar , se no inicio das decisões para a aquisição do material circulante não foi levado em linha de conta as composições de 2 pisos, que foram retiradas ou com circulação reduzida na Linha de Sintra, dotadas desde o inicio com climatização, mais lugares sentados, menos ruidosas e mais confortáveis para os passageiros e além do mais passavam pela via quase sem se dar por isso.
Quem ganhou com a opção daquelas composições? E quem ganhou com a instalação dos painéis de isolamento sonoro, numa obra que demorou 3 ou 4 anos a concluir, isto se actualmente estiver concluído…
Para evitar comparações por parte dos utentes, esses comboios foram retirados da Linha de Sintra, ou existirá a desculpa das razões de exploração e funcionamento. E então pelas mesmas razões não seria de considerar um só tipo de composição, diminuindo peças sobresselentes em armazém, e tornando mais polivalente as interligações entre ramais e linhas do distrito de Lisboa. A pergunta mais lógica, alguém prestou contas dos erros de opção? Ou alguém se justificou pelos gastos adicionais por uma opção errada? Errar é humano, mas colocar as culpas em alguém…é de politico.
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