quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Economia cresce?

Segundo palavras insuspeitas, a economia nacional cresceu acima do esperado. Pode ser o prenuncio de boas noticias. Porém, segundo diversos orgãos de comunicação social, a despesa pública também cresceu acima do esperado.
O que não consigo compreender são as razões para tais agravamentos, pois se congelaram os salários na função publica, cortaram nas prestações sociais, encerraram escolas e centros de saúde para evitar despesas desnecessárias, como é que as despesas publicas aumentam? Acho que a ocultação da verdade está patente nas notícias que são transmitidas ao publico.
Se a despesa do Estado sobe, as nossas exportações diminuem, as importações disparam para valores enormes e a economia cresce… há aqui factores que não estão a dar resultados certos, sendo a economia uma ciência exacta tal como a matemática. Ou isso, ou as parcelas que compõem as contas são de outras equações…
Duma vez, para quando a verdade sobre a real situação nacional ou vamos ter de esperar pela divulgação de um relatório das agências de rating que nos venham dizer que Portugal não tem nem vai ter condições para pagar a divida externa?
Só com a coragem de enfrentar a verdade da economia nacional bem de frente, se poderá pedir o esforço para ultrapassar as dificuldades. Com exemplos dos dirigentes politicos, o Povo assumia com esforço e determinação quais os objectivos a atingir.
Agora, com facilitismo de esquerda, sem sentido de Estado nem orgulho nacional, com a impunidade democrática pelas asneiras cometidas em proveito próprio e lesivas dos interesses publicos, que esforços vamos ainda pedir a um Povo descrente nos seus dirigentes?
Sim, porque o que se fala nos cafés e grupos de amigos não chega nem ao de leve aos ouvidos dos nossos governantes, ou então não são filhos de boa gente.

sábado, 21 de agosto de 2010

Josefa, a bombeira

Este texto foi recolhido num dos meus e-mails e do qual não posso deixar de divulgar, quer por respeito por uma actividade humanitária e meritória, quer pelo reconhecimento do valor humano que despertava, terminada precocemente por via de interesses inconfessáveis.

Este texto é de autoria de FERREIRA FERNANDES, in Diário de Notícias

* Josefa a bombeira*

"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela:* "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."*
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, *Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar*, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e
trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"
*Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias*


Ela é um exemplo a ser seguido, vamos dar-lhe um minuto de atenção
e honrar a sua memória!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

Islão ou fanatismo?

Ontem vi nas notícias um assunto que vou gostar de abordar, o fanatismo que se esconde por detrás do Islão.
Um ataque cruel e sanguinário a uma coluna humanitária composta por médicos e enfermeiros, de diferentes nacionalidades mas maioritariamente americanos.
A reivindicação deste bárbaro massacre foi efectuado por Talibans, esses cruéis combatentes, violentos e sanguinários que se escondem sob a capa do Islão, na sua forma mais radical.
Não questiono a legalidade da sua luta para a libertação do seu pais, pois todos os povos têm direito a viver sob uma bandeira, num país e com determinado regime, é essa uma das bases das democracias ocidentais.
É de facto condenável o ataque a civis mesmo que estranhos em terras estrangeiras, que certamente fazem o seu melhor em prol de outros civis, inocentes desprotegidos e vitimas de um conflito indefinido de interesses.
Agora o que acho deveras preocupante é um pequeno excerto da reivindicação onde os acusava de serem “cristãos”.
Quando sabemos que o conflito entre os países islâmicos e o Estado de Israel tem por base as intolerâncias religiosas e poderio militar israelita, sabendo o que provoca nas populações indefesas e vitimas inocentes dum conflito onde os que mais beneficiam não se envolvem directamente nisso.
Passando esta luta para a esfera esotérica, o facto de serem ocidentais e cristãos e como tal passíveis de serem chacinados cruelmente, deve fazer pensar os dirigentes das democracias ocidentais sobre o que fazer com os crescentes núcleos islâmicos que crescem e proliferam em todos os países ocidentais. Estes mesmos países que criam estruturas e aprovam as liberdades religiosas a todos os seus cidadãos, estão “a alimentar a fera que os há-de devorar”.
Baseados num crescente fanatismo religioso, imbuídos de intolerância para com outras ideologias, elas põe a nu as fragilidades da nossa sociedade, para eles as democracias ocidentais são estátuas de bronze com pés de barro.
Mesmo nos países amigos do Ocidente será que é admissível professar a religião cristã? É que nem sequer ponho a questão sobre o Judaísmo. Contudo, nos nossos países existe essa partilha dos mesmo espaços, com incidentes pontuais manifestando o crescente ódio entre religiões que afinal têm em comum a sua origem.
O que nos obriga a tolerar nas nossas casas pessoas que pretendem, seja a bem ou a mal, converter-nos a uma religião que não queremos?
A reciprocidade de tratamento, não é um direito democrático nem cristão, mas deverá ser uma exigência politica, para desenvolver e adequar as nossas democracias aos povos que querem vir para os nossos países e não respeitam quer o nosso modo de viver, nem a nossa evolução enquanto seres humanos.
Recordo uma questão levantada pelos mídia franceses sobre a questão da proibição do uso das burkas pelas mulheres muçulmanas. Porém, ninguém abordou o facto que todas as mulheres ocidentais são obrigadas a usar essa indumentária durante visitas aos países islâmicos.
Porque não existem vozes mais fortes sobre o tratamento a que as mulheres muçulmanas estão sujeitas, para além de uns tímidos sussurros?
Porque é que temos de insistir no cumprimento escrupuloso das regras a que nos impusemos e que com elas desenvolvemos uma sociedade e não nos revoltamos com o tratamento que esses mesmos povos nos dão?
Ou estamos reféns desses povos e subsequentemente subservientes à sua vontade, ou ainda não conseguimos aprender nada com a “Crise do Petróleo de 1973”.
É necessária rápida e urgentemente uma mudança nas bases da nossa civilização, reforçando-as e consolidando-as, para que a nossa “estátua de bronze” não se desmorone por falta de pés.

Os princípios das democracias ocidentais estão a precisar de reforma, ou isso ou aceitamos de boa vontade uma conversão ao Islão.

sábado, 7 de agosto de 2010

Dinheiro mal gasto

Vamos abordar um tema controverso, o dinheiro público desbaratado por causa de opções erradas de quem não presta contas das asneiras cometidas.
A linha de Sintra sofreu uma modernização quer de vias, quer de sinalização, quer ainda pela remodelação das estações, a segurança dos passageiros bem como as composições novas que substituíram as velhinhas UTE. Foram feitas as obras que aquela Linha há muito necessitava. Ora bem, não vamos questionar o preço das obras, porque com o desmembramento das empresas públicas em empresas de capitais mistos serve para desviar do Tribunal de Contas a supervisão de algumas obras de cariz público, mas efectuadas pela esfera privada com dinheiro dos contribuintes. Mas isso é a continuação da outra história…
O que quero falar é sobre as composições novas, UQE, que foram encomendadas e fornecidas como se para um país frio se tratasse. Vinham com umas minúsculas janelas e sem insuflação de ar fresco, nem climatização. Em dias mais acalorados era ver os passageiros a sofrer com falta de ar ou mesmo com perca de sentidos pelo ambiente sufocante existente no interior das composições. A climatização tinha sido considerado um investimento supérfluo, daí dispensável. O que é certo, actualmente todas estas UQE dispõem de climatização, algumas desde o fabrico, outras por incorporação desse “extra”. Quem pagou?
As composições começaram a circular e verificou-se que o movimento das composições provocava demasiado barulho, apesar de construídas segundo os mais modernos padrões tecnológicos, provocavam mais ruído ambiente do que as velhinhas UTE. Solução? Cobriu-se toda a extensão, ou quase, com painéis de isolamento sonoro, que além de evitar a propagação sonora, arranjou uns quilómetros de superfície para pinturas e grafittis. Claro que quem mora junto da via férrea ficou enclausurado, mas isso não será problema por causa da ditadura de “quem manda pode”. Quem pagou?
Agora pode perguntar-se se era ou não necessário? Claro que era, naquelas circunstâncias era absolutamente necessário, porquanto o alargamento das vias, com a duplicação da via dupla existente, as varandas dos moradores junto da via férrea ficaram mais próximas dos comboios. Mas o que se pode também perguntar , se no inicio das decisões para a aquisição do material circulante não foi levado em linha de conta as composições de 2 pisos, que foram retiradas ou com circulação reduzida na Linha de Sintra, dotadas desde o inicio com climatização, mais lugares sentados, menos ruidosas e mais confortáveis para os passageiros e além do mais passavam pela via quase sem se dar por isso.
Quem ganhou com a opção daquelas composições? E quem ganhou com a instalação dos painéis de isolamento sonoro, numa obra que demorou 3 ou 4 anos a concluir, isto se actualmente estiver concluído…
Para evitar comparações por parte dos utentes, esses comboios foram retirados da Linha de Sintra, ou existirá a desculpa das razões de exploração e funcionamento. E então pelas mesmas razões não seria de considerar um só tipo de composição, diminuindo peças sobresselentes em armazém, e tornando mais polivalente as interligações entre ramais e linhas do distrito de Lisboa. A pergunta mais lógica, alguém prestou contas dos erros de opção? Ou alguém se justificou pelos gastos adicionais por uma opção errada? Errar é humano, mas colocar as culpas em alguém…é de politico.

domingo, 1 de agosto de 2010

"El Dorado"

Muito se fala do destino da emigração dos portugueses de preferência, muito se eleva os padrões económicos deste destino, muito se leva ao engano os portugueses.
Os nossos políticos estão a enganar despudoradamente aqueles que mais necessitam e que têm como ultimo recurso a emigração. Ultimo e por vezes mesmo, o único.
O engano começa logo no país de origem, quando por força dos elevados índices de desemprego, os empresários e administradores das empresas quase que forçam o aceitar das condições que impõem, por vezes ultrajantes. Os salários praticados quase que não justificam o sofrimento do afastamento e a ausência da família. Mas a espada está sobre a cabeça e prestes a cair e a opção só uma, aceitar.
Depois vêm as condições de alojamento, armazenados nos estaleiros, muitas vezes em contentores adaptados a dormitórios, precariamente ou nem tanto, mas sempre em estado de reclusão, durante a semana detidos, para gozar uma precária saída durante o Domingo, sim porque por estas bandas o sábado é dia útil. Quando no país de origem a legislação obriga a cumprir 40 horas de trabalho semanal, por estas bandas são 45 ou mais horas semanais, sem que para isso haja a devida compensação.
As condições de deslocação contemplam normalmente a alimentação, em diferentes formas, sendo o comummente utilizado o refeitório compartilhado por todos, onde a confecção e as condições adjacentes quer de variedade quer de qualidade dos bens alimentares faz lembrar os restaurantes indianos nas zonas pobres de Bombaim.
As empresas gerem e manipulam a seu bel prazer os custos e fixam os objectivos da rentabilidade da sua exploração na diminuição de despesas e controle de custos.
A alternativa será ficar a trabalhar e receber um salário miserável que não paga uma prestação da amortização do crédito de aquisição da habitação, então as opções não são muitas.
Como sempre os investimentos são para serem suportados pelo Estado, tal como na origem da nossa nacionalidade, as grandes empresas querem e só pensam viver na sombra das Obras garantidas pelo Estado.
Mas o “El Dorado” tem outra designação “Obras Públicas”, ou satirizando “a teta do Estado”. Isto quando o Estado aceita pagar, quando e como quiser, pois quando tal não acontece cria e acrescenta mais dificuldades naquele rectângulo perdido no cantinho da Europa, eis senão as altas instâncias da Nação a caminhar amiúde e apressadamente para efectuar estas cobranças difíceis, suportadas em primeira instância pelo Governo nacional.
As condições de trabalho são muito abaixo dos níveis mínimos de segurança exigidos pelo País de origem.
Depois a insegurança reinante e a criminalidade crescente, associado a uma população nativa sem rendimentos, criam as situações ideais vitimizar os expatriados, sem direitos legais reconhecidos e não bastas vezes também ilegais.
A criminalidade é deveras violenta, num canto do Mundo onde a vida humana tem baixo valor, quer moral, quer económico. Dos assaltos diários e constantes aos dois portugueses mortos num bairro pobre dos arredores da capital, na zona dos Estaleiros das empresas de construção, mas ninguém alerta para os perigos que enfrentam durante o dia e que se agravam durante a noite. Aqui nada do que parece o é.
Acresce a tudo isto, a falta de mão de obra para ser explorada , com características de subserviência, disciplina e de dedicação ao trabalho, tão do agrado dos nossos empresários. O absentismo laboral é soberano por estas terras, não importa quais os níveis de instrução ou cargos desempenhados.
A possibilidade de trabalhar legalmente é dificultada por legislação ambígua, sujeita a alterações constantes e proporcionadora de rendimentos elevados por via da influência exercida, quer pelo cargo ocupado ou por via do conhecimento directo ou indirecto, são mais um obstáculo para esses novos emigrantes, que se vêm num país distante e que os trata como minorias raciais e traficantes das riquezas naturais existentes por aqui. São ainda os representantes dos colonos, culpados por tudo o que de mau existe por estes lados. Depois de 35 anos de independência ainda não estão a conseguir libertar-se das grilhetas do colonialismo português, ou talvez não interesse…
Mas agora olham para este país como se fosse o “El Dorado” como salvação de todas as crises que atravessamos, mas deixaram passar por debaixo do nariz a criação de condições para que o nosso país e a Comunidade Europeia se tivessem colocado em posição dominante ao invés da China. Quer os banqueiros que agora correm para estes lados, quer os empresários e também a classe política na sua generalidade, não tiveram a destreza nem a coragem de assumir a liderança do apoio a um país a apelar desesperadamente por ajuda.
Valeu que um país sem tradições coloniais mas com uma vontade extrema de se tornar uma potência colonial, associada a um capital disponível em excesso , ofereceu a troco de um verdadeiro “negócio da china” e ocupou por estas bandas e arredores um papel de parceiro importante e vital.
E ficou o puxão de orelhas para todo o mundo!
E agora chegam aos magotes e a pedir a todos os santinhos do altar, o perdão pela sua grande falta de destreza e de uma visão limitada no horizonte.
E colocamo-nos ainda mais a jeito ao mendigar um acesso que podia ter sido adquirido de forma transparente, salvaguardando interesses e mantendo uma posição de igualdade, estreitando as relações institucionais entre os povos, que quer queiramos quer não estamos ligados pela língua, cultura e a vida em comum ao longo dos tempos.
Subsequentemente somos servidos com os restos do festim onde os outros se banquetearam e para sobreviver, os nossos dirigentes e empresários continuam a esmiuçar os pobres e desprotegidos trabalhadores, aliás coisa a que estamos habituados (a ser “esfolados” pelos governantes e políticos!).
Mas o “El Dorado” foi chão que deu uvas, pois chegámos tarde, mais uma vez!