O passado nunca deixou de ser presente. Constata-se que é uma verdade dolorosamente cruel.
No tempo da definição das nossas fronteiras e consolidação do nosso País, as populações eram as mais sacrificadas quer pelas acções violentas decorrentes dos actos de guerra, como depois eram novamente sacrificadas ao terem de contribuir para o pagamento do foral real. E onde ficava a humanidade no meio disto tudo? Claro, ficava em por aí…
Eram tempos de fome e miséria de grande parte das populações rurais.
Não tinham direito a nada, mas também não tinham nada por direito.
Os tempos passaram, e com isto a sociedade desenvolveu-se para as cidades e ambientes rurais existentes, mas ainda num passado recente e na memória de muitos que a viveram então e que a vivem hoje, acontece de novo. Nos anos não muito longínquos de 1940, este pequeno país e grande parte das suas gentes comia o pão que o diabo amassou, só para viver mais um dia, castigo motivado por acções paras as quais não tínhamos contribuído, mas que as sofríamos amargamente na pele. Perguntem aos nossos idosos de hoje como viviam e o que faziam quando eram crianças… O passado repete-se.
Na reconstrução mundial depois da destruição desses tempos, foram tempos de mudança. Foram? Sim, foram, mas só para alguns, porque neste cantinho perdido da Europa, algures entre a Espanha e Marrocos, nada mudou. Nem naquele tempo, nem agora, 20 anos depois de consolidada a nossa vocação europeia, descoberta por algum imbecil que provavelmente só olhou para as carteiras dos países europeus, sem pensar no realmente importante e necessário para o povo português. Nesses tempos também não foi fácil viver, as perspectivas permanentes de bancarrota financeira, os salários em atraso, as falências, o congelamento da economia… o desemprego, as camadas mais desfavorecidas da população a sofrer mais intensamente o caos social… o passado repete-se.
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Ditado popular que esclarece o que se passou nos anos seguintes… até três anos atrás, onde voltámos a viver nos tempos distantes do “era uma vez”, em que os senhores feudais se faziam donos e senhores de tudo que estava na terra. Não somos donos de nada, nem do nosso futuro, que está a depender de acções mais humanas por parte de quem pode e manda, só falta o querer.
Os desempregados de longa duração, que outrora sempre podiam ocupar uma parcela de terreno (se deixassem, claro), e daí obter algum rendimento para o seu sustento, foi substituído por um subsídio de desemprego que depois foi retirado. Alguém pensou que para além dos valores subsidiados existem pessoas? Nunca se pensou naqueles que estando a trabalhar há mais tempo, numa situação onde se tem mais do que certo a substituição por alguém mais novo, possa não existir alternativa? Trabalhadores úteis mas sem qualificações técnicas, motoristas, funcionários comerciais ou industriais, vigilantes, e os idosos reformados… enfim, um sem numero de profissões para as quais não são precisas aptidões especiais, mas que nestes tempos de trevas são os mais desfavorecidos. E é tão fácil retirar os subsídios de que dependem, sem criar alternativas, deixando-os à mercê de… desespero, fome e miséria.
É necessário e em absoluto controlar as contas do estado, como o era num passado mais distante, e sempre foi desde o principio das coisas. Isso não é de hoje, como também não é de hoje o despesismo e a ostentação daquilo que parecemos ser, mas não somos. Não somos nem temos, nem o dinheiro, nem a inteligência de utilizar os poucos recursos que dispomos de maneira mais justa e eficaz. Mais uma vez o passado repetiu-se, como em tantas vezes ao longo da história desta nação, que faz com que esta, ao contrário das outras espécies, não evolua em direcção ao futuro, mas rume directamente ao passado.
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