Vamos definir o funcionamento da Democracia segundo os padrões ocidentais.
Vamos exercitar a mente e imaginar a seguinte situação:
Um qualquer Partido tem numa qualquer legislatura maioria absoluta, estabelece com o Presidente da Republica um acordo secreto em que consegue filiá-lo nos quadros do Partido, como tal decide que está na altura e que poderá governar por tempo indeterminado.
Para tal começa por alterar a Lei Eleitoral nos seguintes aspectos:
• Fica vedada à oposição o livre direito de manifestação e de propaganda, sem autorização prévia dos Governadores Civis, que por sinal são todos quadros e militantes do Partido no Poder.
• Criam-se comissões com militantes do Partido em que só eles contam e só eles conferem os boletins eleitorais. A contagem dos votos ao invés de conferidos nos locais onde foram depositados, são transferidos para centros de contagem centralizados nos centros urbanos, cujo pessoal trabalhador foi todo recrutado entre militantes e seus familiares, como se costuma dizer, “dos nossos!”.
• Os Resultados ao invés de serem divulgados em directo, proporcionando espectáculos televisivos, seriam difundidos 1 semana depois.
• Toda a Comissão Eleitoral será constituída por quadros elevados do Partido.
• Aos opositores declarados e reconhecidos como tal pelos nossos militantes deverão ser dificultados em cumprir com o seu direito.
• Entre eleições ficam vedadas as campanhas de informação por parte dos partidos da oposição, os meios de informação e da comunicação social ficam só voltados para as acções do partido no poder.
• A comunicação social só pode elogiar a actuação dos membros do governo e da Assembleia, não pode nem deve tecer comentários negativos, nem pejorativos, excepto se forem dirigidos à oposição.
• Todos os noticiários serão difundidos a partir da estação dirigida pelos quadros do partido no poder, e será emitida em simultâneo em todas as estações, privadas ou não.
• Distribuição de brindes e lembranças, desde bonés e t-shirts, passando por motos, Tvs e automóveis aos membros mais influentes das Freguesias e Colectividades, para valorizar o empenho dos militantes, tudo a ser pago por uma conta existente no Orçamento Geral do Estado.
• Disponibilizar as verbas para o Partido no poder de imediato, e recusar o pagar tardiamente aos partidos da Oposição essas mesmas dotações, e mesmo assim só depois de muitos entraves colocados por via de documentação legal de carácter duvidoso.
Assim seria fácil perpetuar-se no Poder, mas estará de acordo com os padrões exigidos pelas democracias ocidentais?
A verdade é que não existe justiça em eleições efectuadas segundo estes critérios.
Então porque continuam a serem consideradas pela Comunidade Internacional, justas e democráticas as eleições legislativas em Angola?
Será para não criar ondas num parceiro estratégico e de vital importância para Portugal, Europa e os EUA, ou será a hipocrisia democrática a falar?
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