domingo, 25 de julho de 2010

Política Mundial

Desde que aconteceram os atentados de 11 de Setembro temos sido bombardeados com muitas e diferentes posições sobre o mesmo tema, que nos intoxicam e deturpam as ideias e pensamentos sobre uma nova ordem de Política Mundial.
Longe das vagas das teorias da conspiração que pululam na internet, podemos contudo começar por pensar que poderá não ser assim como nos contam.
As verdades escritas da história dum passado muito longe de estar esquecido, estão recheadas de factos que provam a demência daqueles que por vezes são colocados na mais alta cadeira do poder, com resultados trágicos para a Humanidade.
Vamos levantar as questões que eu acho pertinentes.
• Quais os verdadeiros interesses que estão por detrás das intervenções militares no Afeganistão e Iraque? Porquê passados quase 10 anos ainda não se vislumbra uma qualquer solução no horizonte?
• Será que os atentados de 11 de Setembro o foram na realidade, ou apenas um meio para uma expansão imperialista de modo a controlar interesses estratégicos dos poderosos grupos empresariais e económicos?
• Porque será que as intervenções efectuadas ao abrigo de acordos bilaterais e internacionais para a erradicação da produção de drogas, depois de quase 25 anos ainda não têm qualquer efeito prático sobre o comércio dessas substâncias, antes pelo contrário?
É preciso lembrar que o comércio mundial de drogas é o mais rentável, logo a seguir à venda de armamento. E o petróleo continua a ser a força motriz de grande parte dos conflitos no mundo.
Porque não aparecem nos meios de comunicação social vozes discordantes com o politicamente instituído, ou estamos já sintonizados para funcionar segundo a mesma frequência?
O colapso da antiga União Soviética veio criar um vazio politico que foi aproveitado pelo governo dos EUA para alongar a sua esfera de influência. Agora estamos todos no quintal dos governantes e empresários americanos, não para partilhar do tão apregoado sonho, mas para entregarmos o que de bom temos para dar, a bem ou a mal, e receber o direito a limpar os restos da festa, quer queiramos ou não.
A humanidade nunca esteve tão perto da desumanização, a falta de ideologia e de perspectivas de futuro, o isolamento dentro de si própria, a individualização.
A individualização torna-nos vulneráveis e desprotegidos.
A falta de ideais descaracteriza a evolução humana. Nunca estivemos tão perto de voltarmos aos primórdios da evolução humana, o homem das cavernas.
A união, organização e disciplina entre os povos, os ideais ou os anseios das populações sempre foram os melhores meios para as grandes vitórias.
Lemas como “ O povo unido jamais será vencido”, “Povos de todo o Mundo, uni-vos” foram votados ao esquecimento, mas continuam a estar mais actuais do que nunca. E os interesses pessoais sobrepuseram-se aos interesses colectivos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"E se Obama fosse africano?"

- por Mia Couto no Jornal "SAVANA" – 14/11/2008
Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles.
Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada,
as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor.
Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me
atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista
sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era
apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se
reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem
permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem
dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para
Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa
feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra:
sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo
a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam
motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais
diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos
comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando
nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes
africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei:
estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama
familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na
pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de
ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o
Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse
outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês,
Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As
questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me
perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e
se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano?
São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George
Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o
seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar
mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa,
se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em
África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné
Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí
fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de
20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando
terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um
candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer
campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões:
seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-lhe-ia
retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não
toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte
dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que
fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a
descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda
está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos.
Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à
independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de
malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente".
Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá
nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer
política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é
mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu
próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos
que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as
elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um
"não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como
novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo
representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou
de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação
aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de
agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para
os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas –
tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é
um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à
mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo
negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o
perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo
expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa
mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores
africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas
dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos
de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos
capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não
seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que
fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos -
as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a
alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e
corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para
esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de
Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto
daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios
dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de
estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o
bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os
noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre
África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África
continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada
de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses
políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns
casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é
lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no
nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também
vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com
esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos
em casa alheia.

Nota: Não quis deixar de divulgar esta mensagem que continua tão actual.

ELEIÇÕES JUSTAS E DEMOCRÁTICAS

Vamos definir o funcionamento da Democracia segundo os padrões ocidentais.
Vamos exercitar a mente e imaginar a seguinte situação:
Um qualquer Partido tem numa qualquer legislatura maioria absoluta, estabelece com o Presidente da Republica um acordo secreto em que consegue filiá-lo nos quadros do Partido, como tal decide que está na altura e que poderá governar por tempo indeterminado.
Para tal começa por alterar a Lei Eleitoral nos seguintes aspectos:
• Fica vedada à oposição o livre direito de manifestação e de propaganda, sem autorização prévia dos Governadores Civis, que por sinal são todos quadros e militantes do Partido no Poder.
• Criam-se comissões com militantes do Partido em que só eles contam e só eles conferem os boletins eleitorais. A contagem dos votos ao invés de conferidos nos locais onde foram depositados, são transferidos para centros de contagem centralizados nos centros urbanos, cujo pessoal trabalhador foi todo recrutado entre militantes e seus familiares, como se costuma dizer, “dos nossos!”.
• Os Resultados ao invés de serem divulgados em directo, proporcionando espectáculos televisivos, seriam difundidos 1 semana depois.
• Toda a Comissão Eleitoral será constituída por quadros elevados do Partido.
• Aos opositores declarados e reconhecidos como tal pelos nossos militantes deverão ser dificultados em cumprir com o seu direito.
• Entre eleições ficam vedadas as campanhas de informação por parte dos partidos da oposição, os meios de informação e da comunicação social ficam só voltados para as acções do partido no poder.
• A comunicação social só pode elogiar a actuação dos membros do governo e da Assembleia, não pode nem deve tecer comentários negativos, nem pejorativos, excepto se forem dirigidos à oposição.
• Todos os noticiários serão difundidos a partir da estação dirigida pelos quadros do partido no poder, e será emitida em simultâneo em todas as estações, privadas ou não.
• Distribuição de brindes e lembranças, desde bonés e t-shirts, passando por motos, Tvs e automóveis aos membros mais influentes das Freguesias e Colectividades, para valorizar o empenho dos militantes, tudo a ser pago por uma conta existente no Orçamento Geral do Estado.
• Disponibilizar as verbas para o Partido no poder de imediato, e recusar o pagar tardiamente aos partidos da Oposição essas mesmas dotações, e mesmo assim só depois de muitos entraves colocados por via de documentação legal de carácter duvidoso.

Assim seria fácil perpetuar-se no Poder, mas estará de acordo com os padrões exigidos pelas democracias ocidentais?
A verdade é que não existe justiça em eleições efectuadas segundo estes critérios.
Então porque continuam a serem consideradas pela Comunidade Internacional, justas e democráticas as eleições legislativas em Angola?
Será para não criar ondas num parceiro estratégico e de vital importância para Portugal, Europa e os EUA, ou será a hipocrisia democrática a falar?

Lembranças de Tempos Idos

Lembram-se duma avozinha que afirmou em plena Assembleia da República que o nosso Estado tinha um défice demasiado elevado?
Pois é… na altura chamaram-lhe “ave de mau agoiro”, mas não é que ela tinha razão?
Naquele tempo a austeridade que teríamos de sofrer poderia ser um tanto atenuada, mas não… continuou-se a gastar como se não houvesse fundo no saco. E agora estamos a passar as “passas do Algarve”, só porque não houve coragem de implementar em devido tempo as medidas necessárias para diminuir as despesas.
Sei que é necessário estabilidade governativa para ultrapassar a fase negra em que nos encontramos, mas que confiança nos darão os políticos e toda a classe politica em geral para a resolução dos nossos problemas, e para os quais não fizemos nada para além de vivermos o dia-a-dia?
Não é com mentiras continuadas que nos vão convencer de que estão a tomar as medidas adequadas. Para quando um dirigente politico que nos diga a verdade, sem romancear a real situação do nosso País?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Neoliberalismo ou as tretas do costume.

Ontem foi taxativamente recusada a ideia de colocar na revisão da Constituição da Republica as ideias do neoliberalismo.
Pois bem, e perguntamos o que é o neoliberalismo?
Podemos definir o neoliberalismo como um conjunto de ideias políticas e económicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio garante o crescimento económico e o desenvolvimento social de um país.
Surgiu na década de 1970, através da Escola Monetarista do economista Milton Friedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973, provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo.
E como se caracteriza o Neoliberalismo?
Os princípios básicos são:
- mínima participação estatal nos rumos da economia de um país;
- pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
- política de privatização de empresas estatais;
- livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
- abertura da economia para a entrada de multinacionais;
- adopção de medidas contra o proteccionismo económico;
- desburocratização do estado: leis e regras económicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das actividades económicas;
- diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais eficiente;
- posição contrária aos impostos e tributos excessivos;
- aumento da produção, como objectivo básico para atingir o desenvolvimento económico;
- contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços;
- a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
- defesa dos princípios económicos do capitalismo.
(até aqui estão a ver alguma coisa de diferente do que se passa neste iceberg à beira mar plantado?)

Críticas ao neoliberalismo
Os críticos ao sistema afirmam que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências económicas e as empresas multinacionais. Os países pobres ou em processo de desenvolvimento (Brasil, por exemplo) sofrem com os resultados de uma política neoliberal. Nestes países, são apontadas como causas do neoliberalismo: desemprego, baixos salários, aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional.

Pontos positivos
Os defensores do neoliberalismo acreditam que este sistema é capaz de proporcionar o desenvolvimento económico e social de um país. Defendem que o neoliberalismo deixa a economia mais competitiva, proporciona o desenvolvimento tecnológico e, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação caírem.
www.suapesquisa.com/.../neoliberalismo.htm

Constatem o que é a nossa politica e a diferença entre o que dizem e o que fazem, apesar de sentirmos isso na pele...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Rumando ao Passado.

O passado nunca deixou de ser presente. Constata-se que é uma verdade dolorosamente cruel.
No tempo da definição das nossas fronteiras e consolidação do nosso País, as populações eram as mais sacrificadas quer pelas acções violentas decorrentes dos actos de guerra, como depois eram novamente sacrificadas ao terem de contribuir para o pagamento do foral real. E onde ficava a humanidade no meio disto tudo? Claro, ficava em por aí…
Eram tempos de fome e miséria de grande parte das populações rurais.
Não tinham direito a nada, mas também não tinham nada por direito.
Os tempos passaram, e com isto a sociedade desenvolveu-se para as cidades e ambientes rurais existentes, mas ainda num passado recente e na memória de muitos que a viveram então e que a vivem hoje, acontece de novo. Nos anos não muito longínquos de 1940, este pequeno país e grande parte das suas gentes comia o pão que o diabo amassou, só para viver mais um dia, castigo motivado por acções paras as quais não tínhamos contribuído, mas que as sofríamos amargamente na pele. Perguntem aos nossos idosos de hoje como viviam e o que faziam quando eram crianças… O passado repete-se.
Na reconstrução mundial depois da destruição desses tempos, foram tempos de mudança. Foram? Sim, foram, mas só para alguns, porque neste cantinho perdido da Europa, algures entre a Espanha e Marrocos, nada mudou. Nem naquele tempo, nem agora, 20 anos depois de consolidada a nossa vocação europeia, descoberta por algum imbecil que provavelmente só olhou para as carteiras dos países europeus, sem pensar no realmente importante e necessário para o povo português. Nesses tempos também não foi fácil viver, as perspectivas permanentes de bancarrota financeira, os salários em atraso, as falências, o congelamento da economia… o desemprego, as camadas mais desfavorecidas da população a sofrer mais intensamente o caos social… o passado repete-se.
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Ditado popular que esclarece o que se passou nos anos seguintes… até três anos atrás, onde voltámos a viver nos tempos distantes do “era uma vez”, em que os senhores feudais se faziam donos e senhores de tudo que estava na terra. Não somos donos de nada, nem do nosso futuro, que está a depender de acções mais humanas por parte de quem pode e manda, só falta o querer.
Os desempregados de longa duração, que outrora sempre podiam ocupar uma parcela de terreno (se deixassem, claro), e daí obter algum rendimento para o seu sustento, foi substituído por um subsídio de desemprego que depois foi retirado. Alguém pensou que para além dos valores subsidiados existem pessoas? Nunca se pensou naqueles que estando a trabalhar há mais tempo, numa situação onde se tem mais do que certo a substituição por alguém mais novo, possa não existir alternativa? Trabalhadores úteis mas sem qualificações técnicas, motoristas, funcionários comerciais ou industriais, vigilantes, e os idosos reformados… enfim, um sem numero de profissões para as quais não são precisas aptidões especiais, mas que nestes tempos de trevas são os mais desfavorecidos. E é tão fácil retirar os subsídios de que dependem, sem criar alternativas, deixando-os à mercê de… desespero, fome e miséria.
É necessário e em absoluto controlar as contas do estado, como o era num passado mais distante, e sempre foi desde o principio das coisas. Isso não é de hoje, como também não é de hoje o despesismo e a ostentação daquilo que parecemos ser, mas não somos. Não somos nem temos, nem o dinheiro, nem a inteligência de utilizar os poucos recursos que dispomos de maneira mais justa e eficaz. Mais uma vez o passado repetiu-se, como em tantas vezes ao longo da história desta nação, que faz com que esta, ao contrário das outras espécies, não evolua em direcção ao futuro, mas rume directamente ao passado.

domingo, 4 de julho de 2010

Racismo

Está a ser exibida uma faixa a dizer "não ao racismo" no Mundial de 2010, na Africa do Sul. Acho curioso que ninguém pergunta as quais as razões porque o Prof. Carlos Queiroz foi despedido de selecionador da Africa do Sul, depois de ter sido finalista vencido no CAN realizado em Marrocos. `É que a razão foi "racismo", sim foi acusado de ser racista. Racista porque jogava com uma selecção maioritáriamente constituída por jogadores "brancos", num pais de maioria negra. E agora o Carlos Alberto Parreira não é também racista por ter apresentado uma selecção constituída só por elementos de raça negra? Por onde andam os jogadores brancos que a Africa do Sul tem, e de valia? Afinal temos de nos deixar de hipocrisias e chamar as coisas pelos verdadeiros nomes que têm. Existe Racismo sim, e para ambos os lados das raças.

sábado, 3 de julho de 2010

Globalização é uma treta!

Este mundo está cada vez mais pequeno, sabemos isso. As notícias chegam quase de imediato a todos os cantos do mundo. Chegam? Mas como será que chegam? Será que as notícias do modo que são transmitidas são verdadeiras ou estarão formatadas para condicionar as mentes dos ouvintes e leitores?
Existe uma verdade, e só uma! Agora uma notícia pode transformar uma verdade numa mentira, condicionando desse modo o julgamento dos leitores ou ouvintes.
Vamos por partes, actualmente muito se fala do aquecimento global, do degelo das zonas do Árctico, da Antárctida, da subida do nível dos oceanos. Pergunta-se, que verdade está associada a este facto? Será que é verdade esta situação ou estaremos a ser condicionados para a aceitar como verdade, se possibilidade nem meios para a questionar?
Outra situação recente foram as pandemias anunciadas e que levaram o caos a todo o mundo e …, flop… deu em nada, as gripes A (H1N1) e das aves(H1N5), segundo noticias seriam da mesma estirpe, e que causaram menos vitimas do que as gripes tradicionais e sazonais. Ou teria sido uma mera orquestração por parte dos grandes grupos farmacêuticos para vender vacinas em todo o lado e que agora vão ser destruídas por não terem uso? Nesse capitulo considero a OMS, e a ONU em ultima instância, as grandes culpadas por terem sido cúmplices numa vergonhosa e agressiva campanha de vendas, em que as principais vitimas foram aqueles que pouco ou nada têm. Que verdade se esconde atrás destes embustes descomunais?
Outro aspecto a considerar, o armamento que faz a diferença entre países poderosos e aqueles que ficam subjugados. Digam uma razão porque hão-de países como os EUA, Rússia, Israel, Grã-Bretanha, França, Alemanha, entre outros, possuírem armamento táctico nuclear, e seja condenável a outros a cesso a este mesmo tipo nefasto de armamento? Também poderá ser considerado desenvolvimento tal como o foi em 1945, quando da utilização atómica para fins de destruição maciça.
Será que se justifica as intervenções armadas em países inóspitos e sem recursos naturais, só porque é necessária uma retaliação a grupos terroristas? Mas quem são os terroristas e como julgá-los como tal?
Segundo o conceito após o 11 de Setembro, que todo o movimento ou organização que lute contra o poder instituído é considerado terrorista. Este é um critério duvidoso, um qualquer movimento de rebelião armada contra um qualquer governo ao abrigo deste conceito será considerado terrorista, e nunca um movimento de libertação. Foi pura e simplesmente retirado o direito a qualquer povo de se rebelar contra o poder instituído.
Porque será que países como a China, Índia ou Brasil ou mesmo o Japão, vêm os seus programas espaciais condicionados por muitos boicotes ou dificuldades criadas artificialmente quando as potências espaciais da actualidade não as tiveram? Não é obstrução ao desenvolvimento?
Então porque se estrangula o direito ao desenvolvimento das nações em vias disso, forçando-as a aceitar uma globalização que não lhes é benéfica? Os acordos mundiais do Comércio é disso exemplo, a liberalização do comércio só irá beneficiar as potencias detentoras de capacidade de produção tornando as nações pobres mais pobres. Também não são obstáculos ao desenvolvimento?
Porque será que os países mais pobres são geralmente fornecedores de matérias primas não transformadas, sendo exportadas para os ditos países ricos a preços exorbitantemente baixos, para depois os adquirirem manipulados ou manufacturados a preços exorbitantemente altos?
Porque não se pensa em globalização e colocar todos os habitantes deste planeta em situação de igualdade, com a mesma qualidade de vida? Qual será a razão que sustenta o continuo apoio a países cujos governantes são descaradamente corruptos, e não se forçam a aplicar os benefícios em prol das populações desprotegidas? Ou será porque essa corrupção beneficia alguns dos países pais de toda a democracia?
Longe de mim estar a alimentar teorias da conspiração, mas ao observarmos as desigualdades existentes nas vidas humanas, das diferenças entre condições de vida, pergunta-se por onde andam e o que fazem as organizações mundiais?
Sabemos que algumas das regiões mais pobres deste planeta, são os mais ricos em recursos naturais, e então porque têm as suas populações tão desprotegidas e desamparadas?
O acesso ao medicamento, para cuidados básicos e que tanto sofrimento poderiam evitar, estão sujeitos a regras que só beneficiam grupos farmacêuticos e os países que os sediam, que a coberto de uma lei de propriedade industrial, privam outros seres humanos ao seu acesso? E neste caso a OMS faz o quê? Se não deixam que outros países produzam esses medicamentos porquê mantê-los a preços incomportáveis para 75% da população mundial? É sabido que essa fatia enorme da população mundial tem muito menos de 100USD para sobreviver durante um mês.
Não estou contra a defesa de interesses financeiros, estou contra o abandono e a exploração de grande parte da humanidade indefesa, só com o fixo objectivo do lucro e poder. Onde entra a humanidade nisto?
A tão apregoada solidariedade não passa de mais um argumento no politicamente correcto, um meio de proporcionar um retorno esperado com acréscimo de vantagens e de lucros. Não passa de empréstimo com retorno acrescido de juros altos.
Para a grande maioria dos governos deste mundo, as populações são mera estatística e sem valor, só sendo considerados um custo. E a vida humana não tem preço.
Onde estão esses governos a lutar pelos legítimos anseios e esperanças das populações que representam?
Uma larga fatia das populações africanas depende duma agricultura de subsistência, sem meios nem apoios para desenvolver uma produção equiparada aos países desenvolvidos. Mas são estas mesmo populações que sofrem mais com as consequências das acções humanas nos países desenvolvidos, cuja acção conhecida como uma das principais causas do apregoado aquecimento global. E que contribuíram os países pobres para tal? Mas sofrem mais do que os outros, sem qualquer apoio de organizações mundiais que desviam o olhar noutras direcções, alertando para factos bem distantes desta realidade que afecta muitos milhões de seres humanos.
Ou não será esta acção uma tentativa de criar um governo mundial dominado pelos países mais ricos e poderosos, subjugando todos aqueles que não conseguem e nem lhes deixam ter voz?
A humanidade caminha a passos largos para a desumanização, sem filosofia de vida nem rumo, a não ser o poder do vil metal. Se não há solução viável, é melhor começar a pensar em acabar com tudo.
Por tudo isto, a globalização é uma treta.

Que pensar?

A GALP vai subir os preços do gas por via dos prejuizos obtidos em 2008.
Uma pergunta, alguma vez a GALP apresentou prejuizos globais nos finais dos exercícios? Ou será uma nova maneira de extorquir o povinho? Acho que este aumento é mais um roubo descarado tolerado por um governo desgastado e sem autoridade, sem vontade de dirigir os designios da nação, e que deixa o nosso País à mercê deste bando de ladrões que dominam a nossa classe politica.