terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Mário Crespo, esse comentador sempre atento, desta vez apresenta de um modo diferente a sua crítica, que eu e muitos como eu subscrevemos inteiramente, a bem de uma nação que é dirigida sem vergonha!

Força Mário Crespo, estamos contigo!

O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais.

O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde.

É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas.

O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre.

E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada. Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

sábado, 28 de novembro de 2009

Onde pára o dinheiro? (Parte 2)

A comissão europeia prepara-se para instaurar um inquérito para averiguar o paradeiro de 50 mil milhões, destinados a fundos de investimento e atribuídos por Bruxelas.
Como português sinto-me envergonhado, por causa de governantes e administradores públicos sem escrúpulos nem sentido de Estado, que denigrem a nossa origem e nacionalidade. Não basta o facto de sermos já considerados por essa Europa fora, ladrões e corruptos, como ainda o sermos efectivamente, ou como diria Séneca, não basta a mulher de César ser honesta, também tem de parecer. Aplicado nesta situação, não basta parecermos, também temos de ser!!
Como é sabido, a quando da entrada da Roménia na Comunidade Europeia, a Comissão decidiu e a meu ver bem, ser a mesma a gerir e a aplicar os fundos financeiros destinados ao desenvolvimento desse País. E agora, ver o meu país, membro de pleno direito na Comunidade no primeiro alargamento para Sul, ser colocado ao nível da Roménia, é por demais humilhante!
A moralidade e honestidade efectivamente não se ensinam nas Universidades, mas são princípios basilares na educação pessoal, adquirida diariamente na convivência social. Os bons princípios morais adquirem-se por meio de exemplos, e devem ser pedra basilar na formação humana.
Igualmente o respeito pelo trabalho dos portugueses, pelo esforço diário que fazem para manter um Estado gordo e voraz, a honestidade na gestão dos capitais que movimentam, e o reconhecimento público que os impostos são o verdadeiro sangue e suor de todos os portugueses.
Os portugueses não se importariam de pagar impostos, e até pagariam com um quase sorriso nos lábios, desde que vissem estas mesmas contribuições a ser tratadas com respeito e honestidade.
Os portugueses não querem continuar a alimentar um bando de vampiros, que sugam o melhor de todos nós, a nossa alma lusitana!
Nem merecem tal sofrimento, nem eles nem ninguém!
E para isso, os nossos ilustres governantes, executivos, parlamentares e mesmo judiciais, devem criar um conjunto de regras simples, límpidas e eficazes para que eles próprios possam ser devidamente punidos e não se escudarem em imunidades, criando desde logo uma desigualdade perante a lei. Uma solução simples, acabe-se com as leis da imunidade, com as fugas às declarações de rendimentos e com o sigilo bancário. Nós, os portugueses honestos, não temos nada a esconder!!

Mas aumentam ou não?

Gostava de saber se o facto de não se aprovar uma correcção ao sistema contributivo, que irá prejudicar o Estado em 2300 milhões de euros segundo palavras de membros do executivo da nação, é ou não um aumento de impostos? Como se poderá aumentar a receita do Estado, alimentado por uma máquina fiscal, senão por meio de aumentos contributivos?
Mais uma vez, os nossos governantes deitam serradura para os olhos dos portugueses!
Em linguagem de gestão de mercearia, se não há dinheiro em caixa, devem eliminar-se despesas desnecessárias, tão simples como isso. Mas algum governante, ou parlamentar, vem chamar a atenção ao despesismo do governo socialista?
Para alimentar uma máquina pesada e gulosa como o Estado Português, não deveria apostar-se antes na contenção e racionalização das receitas fiscais, de costumada sensatez, ou será preferível assaltar o cotão bem no fundo dos bolsos dos portugueses, para cobrir as despesas feitas sem objectivo concreto e avulso?
Queixam-se os nossos governantes da falta de encaixe financeiro para cobrir despesas, mas não conseguem definir em concreto, com uma exactidão que a matemática proporciona, segundo o sr. ministro das Finanças sem ideia sequer, de quanto já foi despendido para cobrir o buraco financeiro do BPN e BPP, feitos por particulares em empresas privadas, e onde os principais lesados continuam, continuam a ser os mais prejudicados. Então, para onde vai o dinheiro?
A existir controle nos gastos, de certeza que iria sobrar dinheiro em caixa!

domingo, 22 de novembro de 2009

Jogar ao pião

A Sovenco, criada em 1990, era uma Sociedade de Venda de Combustíveis.
A sua constituição: Armando Vara, Fátima Felgueiras, José Sócrates, Virgílio de Sousa.

Armando Vara - condenado a 4 anos de prisão (pena suspensa).
Fátima Felgueiras - condenada a 3 anos e três meses de prisão (pena suspensa).
Virgílio de Sousa - condenado a prisão por um processo de corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua (Blog Sonhos perdidos 11.02.05).

Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo.
Para fazer as obras serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.
Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente.
Onde a história perde a banalidade é quando se vê quem projectou e construiu a moradia. O projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais.
O alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope. A arquitecta Ana Morais era, à época, casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996. Nessa altura, recorde-se, foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI.
A Constrope era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais.

(Publico 20.04.07)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não cometi nenhum crime!

Os resultados da investigação do Ministério Público relativas à "Face Oculta" estão aí, e será mais um caso de Justiça vesga e tendenciosa, ao invés de cega e justa.
Em primeiro lugar, foi colocado em prisão preventiva quem precisou de favores e os que se serviram das suas posições administrativas em proveito próprio, continuam soltos.
Quem fez o preço do favorecimento, quem recebeu as prendas exigidas alegam inocência. Afinal, estabelecer um preço a pagar a um empresário pelo favorecimento em situações de desleal concorrência não é crime!
Um assalariado, quer seja administrador quer seja o paquete ou mulher da limpeza devem estar sobre o mesmo dever de lealdade para com a entidade que lhes assegura o rendimento. E fazer prevalecer o seu interesse particular, numa empresa pública, que se pretende cumpridora das regras salutares de livre concorrência e igualdade de oportunidades, é no mínimo merecedora de processo disciplinar interno seguido de despedimento com justa causa.
Mas, prevalecendo a posição de tacho político, são pura e simplesmente suspensos mas com direitos assegurados.
Ainda vamos assistir a mais um caso de a montanha parir um rato, mas neste cantinho plantado à beira mar, estamos a ficar infestados deles...
Em política, o que parece é, o que aparece na comunicação social ou é uma tremenda teoria da conspiração ou é a degradação de uma classe política já sem o respeito dos cidadãos, mostrando agora que estão sem pinga de vergonha!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Brincadeira de Crianças

Temos, neste jardim à beira mar plantado, as nossas crianças a brincar...
Temos uma campanha eleitoral a descambar para a frívola realidade de nada dizer.
Temos partidos ditos democráticos com comportamentos que fariam corar de inveja os politicos nacionais do século passado.
Temos muito de tudo e não temos nada.
As ingerências políticas em qualquer orgão de comunicação, ou social é sempre uma violação dos direitos democráticos de livre expressão e opinião consagrados na Constituição em vigor.
Claro que nenhum politico vai assumir publicamente essa ingerência.
Mas o passado recente vem demonstrar que as há, existe censura à livre opinião, arbitrio à livre expressão.
Em artigos anteriores são focados algumas dessas atitudes, o livro de Rui Mateus inexplicávelmente desaparecido do mercado, a revista Grande Reportagem, a dispensa do comentador da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, a pressão sobre a Justiça em casos mediáticos como a Casa Pia e FreePort, e agora o afastamento injustificado da jornalista Manuela Moura Guedes bem como o cancelamento do Programa que apresentava, as pressões sobre o presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro. A história recente tem muitas situações em que o Estado, bem como os partidos políticos no poder, interferem nas causas adversas aos seus interesses.
Tenho de reconhecer que nem Hugo Chavez conseguiria fazer melhor.
Mas daí, até ao facto de alegar a sua surpresa, deveria dizer "surpresa", vem esconder a mão com a qual atirou a pedra, e alegar a que "não fui eu", com aquele olhar que as crianças conseguem por para justificar a sua inocência, claro, só pode mesmo ser brincadeira de crianças.
Para todos os que têm filhos, e todos nós passámos por essa mesma idade, ainda se lembram de como cruelmente acusávamos outros, e nos respondiam no mesmo tom e não poucas vezes irado, "quem diz é quem faz!".
Pois bem, isso tem justificação psicológica, e serve quase sempre para desviar a atenção de determinada questão que está a recair sobre nós e a colocar sobre os outros, sendo, a maior parte das vezes, verdade aquilo que se está a dizer.
Mas o polvo está activo (e esta expressão não é minha!), o dominio da Comunicação Social, escrita e televisiva, a pressão politica sobre jornalistas individualmente, ou sobre a Redacção Editorial, ou se não resultar, sobre as empresas que administram e gerem os orgãos de comunicação, por muito que venham a terreiro negar, por muito que venham a "chorar" reclamando inocência, existe e está à vista!
É caso para se gritar bem alto, viva a democracia... neste jardim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Revolução de Ideias

Uma revolução não é só política, também pode e deve ser cultural. Este tema aborda perconceitos definidos como politicamente correctos, mas nem sempre justos. Eu defendo a ideia que igualdade é tratamento igual independentemente da cor, credo ou ideologia, de uns para os outros e vice-versa, o que nem sempre é verdade.

Grandes verdades...

Mas os (biliões de) hipócritas deste mundo recusam-se a vê-las e/ou ouvi-las!

Michael Richards conhecido como Kramer da série televisiva Seinfeld, levantou um bom problema. O que se segue é o seu discurso de defesa em tribunal depois de ter feito alguns comentários raciais na sua peça de comédia. Ele levanta alguns pontos muito interessantes.

Orgulho em ser Branco

Finalmente alguém diz isto.

Quantas pessoas estão actualmente a prestar atenção a isto? Existem Afro-Americanos, Americanos Hispânicos, Americanos Asiáticos, Americanos Árabes, etc.

E depois há os apenas Americanos.

Vocês passam por mim na rua e mostram arrogância. Chamam-me 'White boy,' 'Cracker,' 'Honkey,' 'Whitey,' 'Caveman' .e está tudo bem. Mas quando eu vos chamo Nigger, Kike, Towel head, Sand-nigger, Camel Jockey, Beaner, Gook, or Chink, vocês chamam-me racista. Quando vocês dizem que os Brancos cometem muita violência contra vocês, então por que razão os ghettos são os sítios mais perigosos para se viver?

Vocês têm o United Negro College Fund.

Vocês têm o Martin Luther King Day.

Vocês têm Black History Month.

Vocês têm o Cesar Chavez Day.

Vocês têm o Yom Hashoah.

Vocês têm o Ma'uled Al-Nabi.

Vocês têm o NAACP.

Vocês têm o BET [Black Entertainment Television] (tradução: Televisão de Entretenimento para pretos)

Se nós tivéssemos o WET [White Entertainment Television] seriamos racistas.

Se nós tivéssemos o Dia do Orgulho Branco, vocês chamar-nos-iam racistas. Se tivéssemos o mês da História Branca, éramos logo taxados de racistas.

Se tivéssemos alguma organização para ajudar apenas Brancos a andarem com a sua vida para frente, éramos logo racistas.

Existem actualmente a Hispanic Chamber of Commerce, a Black Chamber of Commerce e nós apenas temos a Chamber of Commerce.

Quem paga por isto?

Uma mulher Branca não pode ser a Miss Black American, mas qualquer mulher de outra cor pode ser a Miss America.

Se nós tivéssemos bolsas direccionadas apenas para estudantes Brancos, éramos logo chamados de racistas.

Existem por todos os EUA cerca de 60 colégios para Negros. Se nós tivéssemos colégios para Brancos seria considerado um colégio racista.

Os pretos têm marchas pela sua raça e pelos seus direitos civis, como a Million Man March. Se nós fizéssemos uma marcha pela nossa Raça e pelos nossos direitos seriamos logo apelidados de racistas.

Vocês têm orgulho em ser pretos, castanhos, amarelos ou laranja, e não têm medo de o demonstrar publicamente. Mas se nós dissermos que temos "Orgulho Branco", vocês chamam-nos racistas.

Vocês roubam-nos, fazem-nos carjack, disparam sobre nós. Mas, quando um oficial da polícia Branco dispara contra um preto de um gang ou pára um traficante de droga preto que era um fora-da-lei e um perigo para a sociedade, vocês chamam-no racista.

Eu tenho orgulho.

Mas vocês chamam-me racista.

Por que razão só os Brancos podem ser chamados de racistas?

Heróis da Revolução

Vou aqui transcrever o relato sobre um dos heróis da nossa Revolução, que pela identificação da autoria deverá conhecer bem os factos apresentados.

A serem verdade estes factos, dá para perceber o logro institucional em que estamos mergulhados.


HERMÍNIO DA PALMA INÁCIO

Ladrão e Homicida na Forma Tentada

Faleceu em Lisboa, no passado dia 14 de Julho, Hermínio da Palma Inácio, glorificado pela opinião publicada como um revolucionário artífice da liberdade a quem a democracia portuguesa muito deve. Estamos em democracia e, por isso, toda a gente tem direito à sua opinião, incluindo eu próprio, cidadão anónimo e contribuinte fiscal que nunca roubou o Estado, antes pelo contrário, pelo Estado foi roubado. Só que a minha opinião sobre essa figura sinistra é completamente divergente da publicada.

Antes de prosseguir, quero deixar claro que não conheci Palma Inácio pessoalmente, embora tenha lido, senão tudo, seguramente quase tudo o que sobre a sua personagem foi publicado. Adicionalmente, recolhi de quem o conheceu muito bem, informação insuspeita sobre o seu perfil ético. Essa informação foi-me dada por um General Piloto-Aviador ao tempo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, e a conversa teve lugar no seu gabinete de trabalho, onde eu procurava despacho para assuntos da sua exclusiva competência, sendo que um deles era a nomeação de um militar para um cargo no estrangeiro. Na pré-selecção feita pelos serviços competentes, estavam nomeáveis três militares que eu conhecia muito bem. Pediu o meu parecer pessoal e eu dei-lho, recomendando um deles que tinha uma folha de serviço exemplar, era reconhecidamente muito competente e pautava o seu comportamento por um elevado padrão ético. O Senhor General ouviu atentamente os meus argumentos e, para minha surpresa, ficou em silêncio por um longo momento. De seguida levantou-se da sua secretária e convidou-me a sentar num recanto do gabinete onde estavam dois sofás e uma mesa de apoio. “Senta-te aqui, tu és muito novo e eu quero contar-te uma história de como gente “muito competente” pode, ao mesmo tempo, ser extremamente perigosa”. E contou-me ali a seguinte história de Hermínio da Palma Inácio.

Esse Senhor General era ao tempo capitão aviador na Base Aérea de Sintra onde Palma Inácio, com o posto de 1º Cabo, tinha, num passado recente, sido mecânico na “linha da frente”, isto é, tinha a responsabilidade da pequena manutenção e reabastecimento dos aviões, portanto da respectiva prontidão imediata para voo, funções que desempenhara de forma comprovadamente muito competente e onde conquistara a estima de todos os pilotos. Depois, saiu da Força Aérea para exercer funções semelhantes no meio civil. Em 1947, já depois da sua saída, aconteceu na Base Aérea o que parecia impensável. Um dos pilotos, ao passar a obrigatória inspecção exterior a um avião no qual iria voar de seguida, notou que os cabos de comando dos lemes do avião (cabos de aço compostos por um enrolamento de fios de aço de menor secção) estavam em mau estado, parecendo meio cortados. Dado o alarme e após pormenorizada análise, confirmou-se terem os ditos cabos sido, não cortados como a imprensa actualmente relatou, mas intencionalmente serrados o suficiente para, com o avião ainda em terra, transmitir movimento aos lemes – e iludir o piloto - mas para inevitavelmente quebrar quando sujeitos à elevada pressão aerodinâmica do voo, deixando o avião no ar sem qualquer possibilidade de controlo, provocando a sua inevitável queda e destruição e a mais que provável morte de pilotos. E constatou-se ainda que tinham sido serrados os cabos de comando de todos os aviões, num acto de sabotagem total da frota, cuja autoria se confirmou ser de Palma Inácio que foi preso pela PIDE. O Senhor General alertava-me desse modo para o facto, aliás bem conhecido, de que uma intenção altamente malévola pode ser – e frequentemente é - convenientemente camuflada com um comportamento profissional irrepreensível.

Certamente a atestar também o seu apreço pelo elevado perfil profissional de Palma Inácio, o então Major Humberto Delgado, aproveitando um voo de treino chegara mesmo a levá-lo em passeio aéreo, apesar da grande diferença de posições1.

Ao elevado e generalizado apreço que a Força Aérea Portuguesa lhe demonstrou – depois de lhe ter proporcionado uma formação técnica de grande valia profissional no quadro de um mais que deprimido mercado de trabalho em 1947, Palma Inácio retribuiu com a preparação da destruição material da frota de aviões de treino, essencial ao funcionamento e crescimento da Força Aérea, e com a frieza assassina de quem não hesitou em condenar à morte os seus camaradas pilotos, aqueles mesmos que tanta consideração lhe dispensaram.

À semelhança do que fez a Acção Revolucionária Armada (Partido Comunista Português) em 8 de Março de 1971 na Base Aérea de Tancos onde, durante a noite, destruiu 28 aviões e helicópteros guardados num hangar, evitando deliberadamente atingir pessoas, Palma Inácio podia simplesmente ter cortado os cabos de comando ou podia ter feito explodir os aviões. Mas isso não lhe bastou: quis também assassinar os pilotos!

Foi responsável por algumas imbecilidades como, por exemplo, a tentativa de ocupação da cidade da Covilhã, mas o imaginário nacional relembra-o essencialmente pelo desvio, em 11 de Novembro de 1961, de um avião Super-Constellation da TAP de onde largou sobre Lisboa panfletos contra o regime de Salazar, e também pelo, até recentemente, maior roubo bancário em Portugal quando, em 1967, liderou o assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, de onde roubou vinte e nove mil contos, uma elevadíssima quantia para a época. Preocupado como dizia estar com a pobreza do País, consequência da “ditadura” do Estado Novo, podia ter copiado do Zé do Telhado o gesto simbólico de uma ostensiva distribuição pelos pobres, o que seguramente teria envergonhado o Regime. Mas não. Palma Inácio não era um altruísta. Levou o dinheiro para Paris, para o banquete da fauna desertora e são conhecidas as desavenças que a farta refeição provocou, porque o objectivo não era envergonhar o Regime, era encher a gamela.

Como terá dito Mário Soares2, Palma Inácio “Era um homem de grande imaginação revolucionária. Não era propriamente um político…”. Tem toda a razão e por isso os seus actos não põem ser considerados “políticos”. De facto, durante todo o período da “ditadura” não se lhe conhece filiação partidária. Também se lhe não conhece qualquer projecto alternativo de governação que pudesse legitimar uma oposição ao Regime, como foi o caso do próprio Mário Soares e de Álvaro Cunhal. Foi só depois da Revolução de Abril que, a fazer fé na imprensa da época, Mário Soares o convenceu a filiar-se no Partido Socialista e, de seguida, lhe ofereceu, de mão beijada e a troco sabe-se lá de que, o lugar de Director-Geral do Ministério do Trabalho, função para a qual Palma Inácio não podia ter a menor qualificação. Favores de amigos.

A propósito da morte de Palma Inácio e a fazer também fé na imprensa3, Almeida Santos,

Presidente do Partido Socialista, declarou que Palma Inácio foi “…um exemplar patriota” e terá sido por este mesmo critério que Jorge Sampaio, em Maio de 2000, quando exercia as funções de Presidente da República, o agraciou com o elevado grau da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Perante tudo isto, ocorre-me perguntar se eu - que não fui, não sou nem nunca serei socialista e que, tal como Palma Inácio não gostava de Salazar, eu não gosto do Senhor Primeiro-Ministro José Sócrates e do seu governo, como não gosto da ditadura de partidos que ultimamente vem governando Portugal – decidir assaltar uma qualquer dependência do Banco de Portugal e roubar pelo menos uns cinco milhões de euros, o que me dava um jeitão para ajudar a educar bem os netos e deixar-lhe algum conforto material que a minha reforma me não vai permitir; se eu que, tal como Palma Inácio tinha, tenho acesso fácil a qualquer Base Aérea nacional, decidir sabotar e destruir o avião Falcon em que o Governo se passeia por esse mundo à nossa custa e atentar contra a vida de uns pilotos, (prometo que, esse caso, eu que, contrariamente a Palma Inácio, sou um democrata, terei o cuidado de não atentar contra a vida do Senhor Primeiro-Ministro porque ele foi democraticamente eleito, ainda que por um povo meio distraído e imbecilizado pelo futebol e pelas telenovelas), será que o Partido Socialista me confere a distinção de me considerar um “exemplar patriota”, me arranja um lugar bem remunerado no conselho de administração de um desses Institutos Públicos para onde é desviado o dinheiro dos contribuintes para aí ser gerido por “exemplares patriotas”, como na opinião publicada se pretende fazer crer que Palma Inácio foi, e depois - a cereja no cimo do bolo – me confere aí um grau qualquer da Ordem da Liberdade (não tem que ser a Grã-Cruz)?

A verdade, a minha e a de muitos outros portugueses da minha geração que lhe conhecem o perfil, é que Palma Inácio não prestou qualquer serviço ao País, por muito que isso doa aos desertores que tudo torcem para justificar a sua deserção, a sua traição à Pátria. Posto em termos simples e claros e entre outras coisas:

§ Palma Inácio foi um mero ladrão – procurei mas não consegui encontrar outro adjectivo para qualificar uma pessoa que assalta um banco e rouba vinte e nove mil contos - com os quais muitos se devem ter banqueteado e, porventura, se sentem agora na obrigação de o glorificar em termos nacionais.

§ Palma Inácio traiu a Força Aérea, tentou o homicídio dos mesmos pilotos com quem lidou diariamente e que lhe dispensaram uma consideração que não merecia, constituindo-se homicida na forma tentada.

§ Mais tarde, já no Brasil, aproximou-se do Senhor General Humberto Delgado (o mesmo que lhe dispensou a consideração pessoal de o levar a voar) tornou-se membro do MNI e na hora certa traiu-o também, o que obrigou Humberto Delgado a “…expulsá-lo «por traição…”4

Ora… façam-me o favor de parar com o sistemático branquear da História. A traição não é, nem nunca será, convertível em virtude. Haja vergonha!

Espanha, 20 de Julho de 2009

Fernando Paula Vicente

Major-General da Força Aérea Portuguesa (Ref.)

1 - “Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo”, pág. 905

2 - “Diário de Notícias”, 15 de Julho de 2009, pág. 8

3 - “Diário de Notícias”, 15 de Julho de 2009, pág. 8

4 - “Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo”, pág. 905

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Então e os outros?

Saiu a notícia que as estações de televisão ansiavam, o PS aceitou fazer debates em frente das câmaras de televisão, depois de andar a enrolar com condições prévias e fora de contexto. Apesar disso, ainda obteve uma pequena vitória ao levar esses debates para fora das instalações televisivas. E ainda outra, só aceitam debates com partidos com acento parlamentar...
E isso não será uma medida discriminatória e sufocante de todos os demais partidos, minoritários e com fraca expressão mas mesmo assim representando a pluralidade e a representatividade de muitos eleitores que subscreveram a criação desses mesmos partidos e movimentos?
Onde reside a iguladade de oportunidade garantida em Constituição a todos os componentes da nossa democracia?
Ou será que pelo facto de serem pequenos partidos não têm direito a expressarem as suas opiniões e convicções perante um grande auditório de portuguesas e portugueses?
Será que não existe o direito de acesso aos meios de comunicação, em igualdade de oportunidade com os demais concorrentes ou isto faz parte da asfixia intelectual a que vamos estar sujeitos?
Em tom final, lembro que o BE um dia não muito distante também foi pequeno e sem expressão, e que hoje aceita que façam aos outros o que não gostou que lhe tivesse sido feito.
Nunca será de esquecer que os demais parceiros com assento parlamentar gostariam de os mandar para o mesmo lugar de onde sairam... não por serem incómodos nem irreverentes.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ROSA COUTINHO O CARNICEIRO DE ANGOLA

Sobretudo é preciso que não se esqueçam dos processos da "exemplar descolonização"!

O QUE SE FICOU A DEVER A ROSA COUTINHO...

É BOM QUE A HISTÓRIA NÃO ESQUEÇA!

LEITURA OBRIGATÓRIA

'Portugal País de homens sem HONRA e sem Vergonha que nunca julgou Rosa Coutinho e outros seus iguais.

Domingo, 13 de Abril de 2008

Angola é nossa!

Holocausto em Angola' não é um livro de história. É um testemunho. O seu autor viu tudo, soube de tudo

Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: 'Memórias de entre o cárcere e o cemitério'. O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que 'já sabiam'. Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.

O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam 'julgamentos populares', perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes.

Ou presentes como espectadores.

A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: 'Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela'.
Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado.
Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados. Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona. Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa.
Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam.
Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?

Este texto, de autoria de António Barreto, o qual vem continuar a demonstrar o quão é necessário mudar nesta nossa democracia. Perante factos destes não consigo encontrar palavras para exprimir a minha revolta.

Obras Públicas e TGV's

Apesar de não ser dos meus comentadores preferidos, reconheço por vezes, razão em alguns comentários mais mordazes. Este particularmente diz respeito às opções erradas na gestão, na orientação e rumo que os diferentes governos colocaram este nosso país.

"Esta noite sonhei com o Mário Lino"

(de Miguel Sousa Tavares)

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa.
Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

No seguimento da necessidade de reformar a nossa "velha" democracia transmito uma opinião a qual subscrevo por inteiro. Já começa a ser tempo de mudar efectivamente o que precisa de ser mudado.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

por Clara Ferreira Alves (Expresso)

Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.

A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira politica.

A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.

A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu, o processo de descolonização.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.

A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.

A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.

A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers".

A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.

A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.

A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.

A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.

A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume no caso Emaudio e no caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.

A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume às "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).

A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).

A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.

A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.

A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.

A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.

A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.

A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente no incêndio dos Paços do Concelho.

A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a cinco milhões de Euros.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de dois milhões e meio de Euros, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.

A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.

A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.

A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era claro está... João Soares.

A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.

A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.

A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.

A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.

A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.

A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.

No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai... e não volta mais.

Clara Ferreira Alves

Expresso

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Início da Revolução


As muitas reflexões que tenho sobre como se poderia mudar este País, começam no mais baixo escalão da representação popular, a mais esvaziada de competências atribuídas mas aquela que efectivamente está mais próxima das populações, as Juntas de Freguesia.

Existem pequenas e grandes, com pouca ou muita população, mas uma com uma certeza, mesmo com muita população consegue-se estar mais próximo dos eleitores e nunca fugir deles, nem lhes virar as costas. Mas também é por aqui que começam os devaneios do poder.

Durante quase 10 anos fui vogal numa Assembleia de Freguesia no Município da Amadora, e vi ano após ano o progressivo esvaziar de competências que lhes estavam atribuídas, chegando a um ponto que só servem para recolher lixos especiais, passar atestados e cuidar do pouco património que lhe pertence ou que lhe é cedido para exploração.

Nesta junta de freguesia, tal como em tantas outras, ou na quase totalidade delas, o Plano Anual de Actividades resumia-se a algumas pequenas intervenções na conservação de parques infantis e o pouco património imobiliário que detinha, ao pontual apoio a colectividades e às suas iniciativas, à recolha de lixos especiais, e à cobrança de taxas do mercado.

Para se situar melhor o contexto destas minhas afirmações, a Junta dispunha de uma dotação anual na ordem dos 500.000 €, dos quais eram absorvidos por salários, impostos e contribuições cerca de 74% dessa dotação. O restante ficava para as demais despesas. Claro que este valor poderia ser alterado em função das receitas de taxas, como as certidões e outros atestados, o que vinha a representar um acréscimo irrisório nas receitas da Junta, que não chegava para pagar os tinteiros que eram indispensáveis à actividade normal do dia-a-dia.

A Junta por si só tem a obrigatoriedade de fazer uma Assembleia de Freguesia para discussão do Plano Anual e do Orçamento, mas sempre sem possibilidade de discussão real e séria, porque grande partes das dotações já estavam cabimentadas em rubricas para assegurar o natural e normal funcionamento, sobrando dessa verba até 26% para as reais obras e intervenções no âmbito da actividade da Junta.

Aliás, o contínuo esvaziar de competências das Juntas de Freguesia leva a pensar que num futuro não muito distante elas serão transformadas em Centros de Atendimento Municipal.

Qualquer intervenção de fundo ter-se-á de andar a rondar os senhores vereadores e demais autarcas da Câmara Municipal que detenham os pelouros respectivos e a pedir, ou mesmo a implorar, para que determinadas intervenções ou obras sejam incluídas nos Planos de Actividade Anuais das Câmaras Municipais.

Está-se mesmo a ver o que sucede quando existem ideologias ou partidos antagónicos, ou mesmo quando alguém decide que somos inconvenientes, personalizando assuntos políticos e da esfera profissional.

Algumas das Obras municipais, podiam e deviam estar sobre a alçada das Juntas de Freguesia, proporcionando um acompanhamento mais eficaz, que acabariam bem mais baratas e sem diminuírem as qualidades finais do pretendido.

domingo, 9 de agosto de 2009

Onde pára o dinheiro?

Este texto não é meu, mas subscrevo na integra, por ter sido bastante falado na altura e subitamente abafado. Mas para não cair no esquecimento, aqui está!


29 Junho 2009 - 09h21

Estado do Sítio

Offshore socialista

A última novidade do Governo socialista do senhor presidente do Conselho é uma coisa chamada Fundação para as Comunicações Móveis. Esta entidade, cozinhada no gabinete do ministro Lino ex-TGV e ex-aeroportos da Ota e Alcochete, foi a contrapartida exigida pelo Governo a três operadores para obterem as licenças dos telemóveis de terceira geração. É privada, tem um conselho geral com três membros nomeados pelo Executivo e um conselho de administração com três elementos, presidido por um ex-membro do gabinete do impagável Lino, devidamente remunerado, e dois assessores do senhor que está cansado de aturar o senhor presidente do Conselho e já não tem idade para ser ministro.
Chegados aqui vamos à massa. Os três operadores meteram até agora na querida fundação 400 milhões de euros, uma parte do preço a pagar pelas tais licenças. O Estado, por sua vez, desviou para esta verdadeira offshore socialista 61 milhões de euros. E pronto. De uma penada temos uma entidade privada, que até agora sacou 461 milhões de euros, gerida por três fiéis do ministro Lino, isto é, três fiéis do senhor presidente do Conselho. É evidente que esta querida fundação não é controlada por nenhuma autoridade e movimenta a massa como quer e lhe apetece, isto é, como apetece ao senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui tudo é possível. Chegados aqui é legítimo considerar que as Fátimas, Isaltinos, Valentins, Avelinos e comandita deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado não passam de uns meros aprendizes de feiticeiro ao pé da equipa dirigida com mão de ferro e rédea curta pelo senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui é legítimo dar largas à imaginação e pensar que a querida fundação, para além de ter comprado a uma empresa uma batelada de computadores Magalhães sem qualquer concurso, pode pagar o que bem lhe apetecer, como campanhas eleitorais do PS e dos seus candidatos a autarquias, e fazer muita gente feliz com os milhões que o Estado generosamente lhe colocou nos cofres.
Chegados aqui é natural que se abra a boca de espanto com o silêncio das autoridades, particularmente do senhor procurador-geral da República, justiceiro que tem toda a gente sob suspeita. Chegados aqui é legítimo pensar que a fundação privada criada pelo senhor presidente do Conselho é um enorme paraíso fiscal, uma enorme lavandaria democrática.

António Ribeiro Ferreira, Jornalista

Somos donos do "nosso" dinheiro?


Será que somos donos do dinheiro que temos, ou simplesmente foi emprestado pelo seu verdadeiro dono para que circulássemo-lo e com isso ele ganhasse uns patacos mais?

Se pensarmos como aparece o dinheiro, papel valor, ou moeda, e para que serve, devemos chegar a uma conclusão próxima do nada.

Quando recebemos no final de cada mês de trabalho aquele subsidio de sobrevivência, que vamos fazer?

Amortizar o empréstimo da habitação, pagar contas, rendas, fazer compras… enfim, temos de o gastar… e para quê? Tudo aquilo que recebemos ou que trabalhámos para o ganharmos é devolvido novamente a quem nos deu. Numa grande maioria das situações não sobra e nem sequer chega de maneira adequada até ao próximo recebimento.

Também porque todos os dias nos tentam criar novos desejos, novas necessidades. Se é para nos tirarem o dinheiro de novo pode-se perguntar porque é que no-lo dão?

Se é para trocar por bens de consumo, podiam-nos dar logo de imediato os bens de consumo… continuavam com o dinheiro e evitava-se trabalhos adicionais.

As despesas ficariam logo pagas e não precisávamos do dinheiro, papel valor, ou outra qualquer espécie de valorizar os bens.

Mas não… temos de dar valor aos bens de primeira, de segunda, todos os bens têm de ser valorizados, de modo a criar a apetência pelo ter. O ter mais, o ter muito… Somos bombardeados diariamente por novas criações para ter. Somos conduzidos a ter, mais… mais… ganância e egoísmo. Tudo para que o dinheiro tenha de voltar ao seu legítimo dono. E o que nos vais sobrar? Mesmo que tenha sido adquirido algum bem patrimonial, será mesmo que é nossa propriedade? E até quando? Ou não vamos ficar sujeitos a alguma decisão arbitrária de um qualquer Poder Instituído e ficarmos despojados daquilo que nos custou a adquirir?

Poder-se-á dizer que nunca é verdadeiramente nosso. Foi-nos dado o usufruto.

Voltando ao dinheiro, se o dinheiro é nosso, porque é que existem leis e legislações que proíbem a sua destruição? Se fosse nosso, podíamos fazer o que bem quiséssemos…

sábado, 8 de agosto de 2009

Habitação

Dentro daquilo que é polémico, a habitação social está na ordem do dia.
Numa conversa de esplanada, surgiu o tema qual a necessidade de haver habitação social?
Eu que trabalho, pago os meus impostos (contrariado e obrigado a fazê-lo), para morar com um minimo de dignidade tenho de comprar uma habitação que andarei a pagar por 25 ou mais anos e que mensalmente custará quase metade dos meus rendimentos. E porquê outros, sem contribuir com um cêntimo para o Orçamento Geral do Estado, têm direito a uma casa que foi edificada com dinheiro dos meus impostos (e de outros como eu!)?
Então, como cidadão contributivo também tenho direito a um destes bens pagos pelo Estado, com renda social e económica, senão estou a ser discriminado por ele, ficando a ideia ou a certeza que só quer o meu (nosso) dinheiro.
Ou deveremos todos deixar de trabalhar, de contribuir, de construir um país para todos, para assim termos alguns "favores" do Estado?
Um dos principios da Democracia é a igualdade, daí também quero ser igual aos que dela beneficiam.

Vêm aí as Eleições!!!

Aproxima-se mais um acto eleitoral, ou melhor dois logo de seguida.
Mas apetece repetir "SE AS ELEIÇÕES MUDASSEM A VIDA DOS POVOS HÁ MUITO QUE SERIAM PROÍBIDAS".
Depois de 35 anos de vida em democracia, ou pseudo-democracia, que melhorias houve nas nossas vidas enquanto cidadãos comuns, por via das eleições? A democracia representativa está a servir para perpetuar os mesmos de outrora nos lugares de topo da nossa vida.
O exilio dos detentores das grandes fortunas de 1974 voltaram para este cantinho à beira mar plantado e continuam a mandar neste jardim, são os donos dos nossos empregos, do nosso dinheiro e dizem-nos como e devemos viver. Ainda não são donos das nossas vidas, mas estão a fazer por isso. Quando um dia destes não tivermos dinheiro e existir a absoluta necessidade de recorrer a um hospital, irão deixar-nos a morrer porque não servimos os interesses comerciais, não estamos a dar lucro! Esta maneira de viver, esta sociedade não serve! Temos de encontrar outra em que possamos estar em harmonia com nós próprios e com o nosso meio ambiente, e sermos humanos...