Temos uma campanha eleitoral a descambar para a frívola realidade de nada dizer.
Temos partidos ditos democráticos com comportamentos que fariam corar de inveja os politicos nacionais do século passado.
Temos muito de tudo e não temos nada.
As ingerências políticas em qualquer orgão de comunicação, ou social é sempre uma violação dos direitos democráticos de livre expressão e opinião consagrados na Constituição em vigor.
Claro que nenhum politico vai assumir publicamente essa ingerência.
Mas o passado recente vem demonstrar que as há, existe censura à livre opinião, arbitrio à livre expressão.
Em artigos anteriores são focados algumas dessas atitudes, o livro de Rui Mateus inexplicávelmente desaparecido do mercado, a revista Grande Reportagem, a dispensa do comentador da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, a pressão sobre a Justiça em casos mediáticos como a Casa Pia e FreePort, e agora o afastamento injustificado da jornalista Manuela Moura Guedes bem como o cancelamento do Programa que apresentava, as pressões sobre o presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro. A história recente tem muitas situações em que o Estado, bem como os partidos políticos no poder, interferem nas causas adversas aos seus interesses.
Tenho de reconhecer que nem Hugo Chavez conseguiria fazer melhor.
Mas daí, até ao facto de alegar a sua surpresa, deveria dizer "surpresa", vem esconder a mão com a qual atirou a pedra, e alegar a que "não fui eu", com aquele olhar que as crianças conseguem por para justificar a sua inocência, claro, só pode mesmo ser brincadeira de crianças.
Para todos os que têm filhos, e todos nós passámos por essa mesma idade, ainda se lembram de como cruelmente acusávamos outros, e nos respondiam no mesmo tom e não poucas vezes irado, "quem diz é quem faz!".
Pois bem, isso tem justificação psicológica, e serve quase sempre para desviar a atenção de determinada questão que está a recair sobre nós e a colocar sobre os outros, sendo, a maior parte das vezes, verdade aquilo que se está a dizer.
Mas o polvo está activo (e esta expressão não é minha!), o dominio da Comunicação Social, escrita e televisiva, a pressão politica sobre jornalistas individualmente, ou sobre a Redacção Editorial, ou se não resultar, sobre as empresas que administram e gerem os orgãos de comunicação, por muito que venham a terreiro negar, por muito que venham a "chorar" reclamando inocência, existe e está à vista!
É caso para se gritar bem alto, viva a democracia... neste jardim.
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