Contra tudo…
Se temos IVA a 23%? Se o IMI vai subir? Se o IRS vai sofrer alterações de escalões? Tínhamos Ota e Alcochete, TGV e pontes, não era? Isso é o preço que agora temos de pagar pelos nossos exageros consumistas, alimentados por um sistema politico voltado para dirigir pela fotografia ao contrário do que deveria ser feito. Estávamos a viver acima das nossas possibilidades e ninguém nos alertou? Mas agora devemos cobrar isso aos nossos governantes, passados, presentes e futuros, por nos terem alimentado essa vaidade. Sabiam e sabem que não seria possível a melhoria dos padrões de vida sem ser de forma sustentada. Crescimento apoiado em balão cheio de ar, sabia-se que era até rebentar. Mas, mesmo sabendo disso não fizeram nada para contrariar essa tendência.
A estagnação da economia está firme como lapa em rocha em maré cheia. Todos os esforços para dominar a crise económica têm sido votados ao fracasso. Todas as boas intenções e iniciativas do Governo têm-se revelado inúteis. Todos as medidas reveladas como estruturantes são afinal avulsas. O Governo aparentemente cheio de iniciativas e apregoando saber qual o caminho que Portugal tem de tomar, anda à deriva, sem saber qual o Norte nem para que lado fica a costa, arrastando consigo todos os sectores da fragilizada economia portuguesa.
Agora mais do que chorar sobre a crise que temos, pelo Governo que não temos, pelo que deviam de fazer pelo País e que não fazem, os gestores das empresas de topo nacional, os grandes e importantes empresários portugueses, aqueles sectores importantes da industria nacional, produtiva e transformadora, deveriam de uma vez por todas deixar de ouvir os noticiários, deixar de ouvir as vozes clamando pela catástrofe iminente, a ficarem estáticos a olhar para o fundo do precipício calculando se a queda vai ou não grande, devem parar para pensar, ignorarem tudo o que se relaciona com economia nacional e duma vez por todas, assumir a importância das suas posições assumidas perante a sociedade civil nacional e partir para a procura de novas oportunidades de negócios, com inovações e parcerias nacionais ou mesmo internacionais, buscar no íntimo da nossa nacionalidade aquela chama que nos é peculiar. Abandonar de vez o triste fado que carregamos e olharmos para o espaço europeu como uma oportunidade e um desafio, não como um pesadelo ou castigo que não queremos ter.
Ao invés de clamarem pela “teta” do Estado, terão de assumir a que chegou a altura de sair debaixo das saias da República que atrofiam os ideais inovadores, libertarem-se do proteccionismo que os prendem e inibem, devendo ser os motores impulsionadores da sociedade civil e que devem estar votados para o desenvolvimento, que são verdadeiramente meio para fazermos a marcha atrás necessária para sairmos da beira do abismo.
Mas não, se o Governo não faz nada, os empresários do Sistema não se mexem, estão sempre na espreita das migalhas fáceis que possam cair do Orçamento do Estado, a repartir entre si as Obras estruturantes e emblemáticas do Sistema, quando podiam estar a amassar o bolo que iriam banquetear toda uma sociedade civil, carente, depauperada e desiludida.
Um apelo deve desde já começar a surgir, deixem a economia nacional para o Governo e para os políticos que dela vivem, pois eles não sabem fazer mais nada para além dos disparates que estamos a sentir nas nossas carteiras. Deixem a crise para esses mesmos parasitas que sustentamos, que têm a obrigação, o direito e o dever moral (se é que ainda lhes resta algum?), de endireitar tudo aquilo que torceram, partiram e danificaram nas estruturas económicas e sociais do nosso Portugal.
Aos empresários, gestores e à sociedade civil em geral compete-nos trabalhar todos os dias, exigindo sim com veemência o respeito pelo trabalho de todos, o controle rigoroso dos impostos que pagamos e os sacrifícios que sofremos para cobrir os despesismos dum sistema politico.
Aos gestores públicos, das empresas que nos trazem algum conforto diário, o mínimo exigível será o rigor na aplicação das receitas resultantes das cobranças efectuadas pelos serviços que prestam, tornando-se realistas face à conjectura que o País atravessa, pois continuo a achar ser possível baixar o preço dos serviços prestados, sem diminuição da qualidade, com base numa gestão centrada na racionalização de custos.
O Governo tem o direito de assumir a efectiva gestão dos dinheiros públicos, racionalizar gastos e despesas, deixando os emblemas fotogénicos à margem, mostrando com exemplos tudo aquilo que querem exigir aos Portugueses. Mostrando que sabe quão doloroso são as medidas que quer implementar e respeita os sacrifícios que pede a todos. Aos altos quadros da Justiça e do Estado, dos sectores políticos devem acabar com as mordomias pornográficas e as retribuições indecentes, deixando de lado uma vaidade tacanha e saloia, criando para si um sistema de retribuições justas e adequadas ao pequeno e pobre País que somos, devidamente escalonadas ao nível de vida da sociedade Portuguesa.
Também os negócios empresariais devem ser devolvidos aos empresários, que continuam a ser o principal sector a ter em conta para o real desenvolvimento da Nação, devem ser o objectivo principal a atingir e deixar a politica para os políticos, tomar o futuro e o destino em nossas mãos, com sacrifício para todos imposto pela classe política é certo, mas garantido certamente aquilo que nesta altura ninguém assegura, o nosso Futuro.
E se alguém pode assumir o rumo são efectivamente os gestores privados, dando exemplos reais como se pode e deve obter o que de melhor existe no povo português, a capacidade para trabalhar, repartindo com justiça os proveitos obtidos pelo empenho e dedicação que a classe trabalhadora consegue pôr no desempenho profissional. Não será certamente a explorar vergonhosamente o trabalho de outrem, pagando miseravelmente que se vai exigir empenho, sacrifício e dedicação, pois isso tem reflexos negativos na sociedade. Se os gestores devem ser remunerados pelo seu desempenho, os trabalhadores que os mantém devem ter o seu trabalho recompensado com dignidade.
Vamos todos desligar-nos das noticias negativas e que nos desmoralizam diariamente tirando-nos toda e qualquer vontade de fazer alguma coisa para o nosso bem-estar. A classe produtiva irá esforçar-se por trabalhar mais e melhor, com melhor qualidade, os gestores a trabalhar por novas oportunidades e lutando por garantir um bom desempenho de gestão, os jornalistas falarem mais dos sucessos que acontecem todos os dias e deixarem os políticos com eles próprios, no fim de contas somos nós trabalhadores e sociedade civil em geral que os sustentamos.
Se temos de trabalhar para engordar a classe política, então trabalhemos afincadamente e com fervor redobrado … podem ter o nosso sangue e suor, mas não hão-de ter as nossas lágrimas.
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