sábado, 28 de novembro de 2009

Onde pára o dinheiro? (Parte 2)

A comissão europeia prepara-se para instaurar um inquérito para averiguar o paradeiro de 50 mil milhões, destinados a fundos de investimento e atribuídos por Bruxelas.
Como português sinto-me envergonhado, por causa de governantes e administradores públicos sem escrúpulos nem sentido de Estado, que denigrem a nossa origem e nacionalidade. Não basta o facto de sermos já considerados por essa Europa fora, ladrões e corruptos, como ainda o sermos efectivamente, ou como diria Séneca, não basta a mulher de César ser honesta, também tem de parecer. Aplicado nesta situação, não basta parecermos, também temos de ser!!
Como é sabido, a quando da entrada da Roménia na Comunidade Europeia, a Comissão decidiu e a meu ver bem, ser a mesma a gerir e a aplicar os fundos financeiros destinados ao desenvolvimento desse País. E agora, ver o meu país, membro de pleno direito na Comunidade no primeiro alargamento para Sul, ser colocado ao nível da Roménia, é por demais humilhante!
A moralidade e honestidade efectivamente não se ensinam nas Universidades, mas são princípios basilares na educação pessoal, adquirida diariamente na convivência social. Os bons princípios morais adquirem-se por meio de exemplos, e devem ser pedra basilar na formação humana.
Igualmente o respeito pelo trabalho dos portugueses, pelo esforço diário que fazem para manter um Estado gordo e voraz, a honestidade na gestão dos capitais que movimentam, e o reconhecimento público que os impostos são o verdadeiro sangue e suor de todos os portugueses.
Os portugueses não se importariam de pagar impostos, e até pagariam com um quase sorriso nos lábios, desde que vissem estas mesmas contribuições a ser tratadas com respeito e honestidade.
Os portugueses não querem continuar a alimentar um bando de vampiros, que sugam o melhor de todos nós, a nossa alma lusitana!
Nem merecem tal sofrimento, nem eles nem ninguém!
E para isso, os nossos ilustres governantes, executivos, parlamentares e mesmo judiciais, devem criar um conjunto de regras simples, límpidas e eficazes para que eles próprios possam ser devidamente punidos e não se escudarem em imunidades, criando desde logo uma desigualdade perante a lei. Uma solução simples, acabe-se com as leis da imunidade, com as fugas às declarações de rendimentos e com o sigilo bancário. Nós, os portugueses honestos, não temos nada a esconder!!

Mas aumentam ou não?

Gostava de saber se o facto de não se aprovar uma correcção ao sistema contributivo, que irá prejudicar o Estado em 2300 milhões de euros segundo palavras de membros do executivo da nação, é ou não um aumento de impostos? Como se poderá aumentar a receita do Estado, alimentado por uma máquina fiscal, senão por meio de aumentos contributivos?
Mais uma vez, os nossos governantes deitam serradura para os olhos dos portugueses!
Em linguagem de gestão de mercearia, se não há dinheiro em caixa, devem eliminar-se despesas desnecessárias, tão simples como isso. Mas algum governante, ou parlamentar, vem chamar a atenção ao despesismo do governo socialista?
Para alimentar uma máquina pesada e gulosa como o Estado Português, não deveria apostar-se antes na contenção e racionalização das receitas fiscais, de costumada sensatez, ou será preferível assaltar o cotão bem no fundo dos bolsos dos portugueses, para cobrir as despesas feitas sem objectivo concreto e avulso?
Queixam-se os nossos governantes da falta de encaixe financeiro para cobrir despesas, mas não conseguem definir em concreto, com uma exactidão que a matemática proporciona, segundo o sr. ministro das Finanças sem ideia sequer, de quanto já foi despendido para cobrir o buraco financeiro do BPN e BPP, feitos por particulares em empresas privadas, e onde os principais lesados continuam, continuam a ser os mais prejudicados. Então, para onde vai o dinheiro?
A existir controle nos gastos, de certeza que iria sobrar dinheiro em caixa!

domingo, 22 de novembro de 2009

Jogar ao pião

A Sovenco, criada em 1990, era uma Sociedade de Venda de Combustíveis.
A sua constituição: Armando Vara, Fátima Felgueiras, José Sócrates, Virgílio de Sousa.

Armando Vara - condenado a 4 anos de prisão (pena suspensa).
Fátima Felgueiras - condenada a 3 anos e três meses de prisão (pena suspensa).
Virgílio de Sousa - condenado a prisão por um processo de corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua (Blog Sonhos perdidos 11.02.05).

Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo.
Para fazer as obras serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.
Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente.
Onde a história perde a banalidade é quando se vê quem projectou e construiu a moradia. O projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais.
O alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope. A arquitecta Ana Morais era, à época, casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996. Nessa altura, recorde-se, foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI.
A Constrope era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais.

(Publico 20.04.07)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não cometi nenhum crime!

Os resultados da investigação do Ministério Público relativas à "Face Oculta" estão aí, e será mais um caso de Justiça vesga e tendenciosa, ao invés de cega e justa.
Em primeiro lugar, foi colocado em prisão preventiva quem precisou de favores e os que se serviram das suas posições administrativas em proveito próprio, continuam soltos.
Quem fez o preço do favorecimento, quem recebeu as prendas exigidas alegam inocência. Afinal, estabelecer um preço a pagar a um empresário pelo favorecimento em situações de desleal concorrência não é crime!
Um assalariado, quer seja administrador quer seja o paquete ou mulher da limpeza devem estar sobre o mesmo dever de lealdade para com a entidade que lhes assegura o rendimento. E fazer prevalecer o seu interesse particular, numa empresa pública, que se pretende cumpridora das regras salutares de livre concorrência e igualdade de oportunidades, é no mínimo merecedora de processo disciplinar interno seguido de despedimento com justa causa.
Mas, prevalecendo a posição de tacho político, são pura e simplesmente suspensos mas com direitos assegurados.
Ainda vamos assistir a mais um caso de a montanha parir um rato, mas neste cantinho plantado à beira mar, estamos a ficar infestados deles...
Em política, o que parece é, o que aparece na comunicação social ou é uma tremenda teoria da conspiração ou é a degradação de uma classe política já sem o respeito dos cidadãos, mostrando agora que estão sem pinga de vergonha!