quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Fim das Industrias Nacionais

O encerramento adiado e já previsto dos Estaleiros Navais de Viana de Castelo vai representar o fim anunciado da industria nacional. Em breve, muito em breve, toda a já reduzida importância da industria pesada portuguesa vai passar para os grandes fabricantes da Europa Central.
Começou-se pela industria têxtil, desmembrando as grandes empresas primeiro, e paulatinamente uma após outra, até chegar às pequenas empresas familiares.
Depois foi todo um comércio local, de proximidade, cuja oferta junto das famílias foi substituída pelos grandes grupos comerciais e financeiros, que estrangularam, dominaram e que os absorveram por fim. Com toda a panóplia de gestores que só olham ao lucro e sem qualquer remorso na contribuição directa do encerramento de centenas de milhares de pequenos negócios, bem como na redução indirecta da produção e comercio de produtos de primeira necessidade de origem nacional. Tudo a bem um pretenso beneficio do consumidor, mas cujo engrandecimento é-o efectivamente nos grandes produtores agrícolas europeus e mundiais.
A nossa faina pesqueira foi desapoiada e incentivada ao abate dos navios, abrindo as portas dos nossos recursos às grandes frotas dos nossos “parceiros” europeus.
A qualidade reconhecida das nossas composições ferroviárias extinguiu-se com o encerramento da SOREFAME, substituída pela industria dos TGV, criando emprego e riqueza, mas em França e na Alemanha.
Os estaleiros de LISNAVE, encerraram por motivos de especulação imobiliária, por uma gestão plena de incompetência , mais interessada na possibilidade de construção de arranha-céus, do que tornar competitiva e produtiva a empresa.
Vai seguir-se o restante tecido industrial pesado nacional. Mas quais são os interesses subjacentes que motivam governos, empresários, gestores, sindicatos e trabalhadores, todos no seu conjunto, que combinam em conjunto a completa destruição das grandes empresas nacionais.
Todos, mas todos no seu conjunto, contribuíram ou estão a contribuir para o empobrecimento nacional.
Que futuro poderá ter um país, sem grandes empresas de referencia?
Sim, porque agora vai começar o assalto às ultimas grandes empresas nacionais, TAP, EDP e CGD, por parte dos grandes grupos financeiros europeus, ficando a nossa economia cada vez mais dependente dos favores duma Europa cada vez menos solidária, enfraquecendo e dominando os frágeis países periféricos, alimentados por um suposto apoio ao desenvolvimento, falsamente sustentado e caprichosamente dependente dos grupos económicos mundiais e europeus.
Vamos limitar-nos a vender na Comunidade Europeia produtos agrícolas, com uma agricultura limitada à produção insuficiente de frutas, de vinhos de grande qualidade? Vamos limitar-nos às pequenas produções e deixar os grandes e lucrativos negócios, esses mesmo que vão ter influencia directa no PIB para os donos da Europa?
Todas as directivas comunitárias, apontam sempre num sentido, deixando os pequenos países como o nosso, dependentes de pequenas fatias de mercado, sempre e só as sobras dos grandes negócios.
Com tudo isto, o que nos vai restar? O sol? As praias? Sermos bonzinhos e termos umas paisagens que por sinal até ficam bem nas fotos de recordação?
Sim, mas tudo isso não vai chegar para pagar o monstruoso passivo económico existente, nem depois vai ser capaz de gerar riqueza e emprego para todos os portugueses, nem irá ser capaz de manter uma estabilidade e sustentabilidade de desenvolvimento económico-social, porque simplesmente nessa altura não vai haver nada para fazer, ou como diz o povo, está tudo pronto para ser comprado. Restará saber com quê?